Não tem jeito
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
E você fez
Um Bicho de Sete Cabeças.."
Zé Ramalho
Você nasce, cresce, vive, vivencia
sofre, apreende, inventa uma vida,
e enquanto vive você constrói, cria,
dá vida a um bicho de sete cabeças.
Cada pessoa vai pelo mundo carregando seu próprio bicho
Mas quando menos o espera,
ele acorda daquele adormecimento momentâneo
E volta agigantado, cheio de fúria, de fome,
e você que já o conhece e que já se conhece de novo se atormenta.
As simples formas de cortar as cabeças
já não fazem mais sentido
e ele que parece maior, mais forte
o devora, devagar, engolindo um a um seus órgãos
mastigando sem piedade sua calma, sua paciência, sua inocência.
E ainda que não tem pé, nem tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
você desespera desiste, o deixa, o alimenta
e devagar, sem pressa
você se torna sem querer
no seu próprio bicho de sete cabeças
e não tem coração que esqueça.
dá vida a um bicho de sete cabeças.
Cada pessoa vai pelo mundo carregando seu próprio bicho
tentando matar uma a uma as cabeças
que atentam com afogá-lo com se alimentar de você
de seus medos, de suas restrições, de suas penas, de suas dores.
E você luta, às vezes encontra formas simples de cortar as cabeças
de converter seu monstro num pequeno ser que não atenta, que não lhe tenta
E você quase acredita em que ele já não lhe afeta
Que nunca você foi de verdade amedrontado, asfixiado,
E até celebra por ter ganhado a guerra
Como se de verdade umas poucas batalhas resumissem tudo
Como se acabando o bicho
também se extinguissem os medos, penas e dores dos que ele se alimenta.
que atentam com afogá-lo com se alimentar de você
de seus medos, de suas restrições, de suas penas, de suas dores.
E você luta, às vezes encontra formas simples de cortar as cabeças
de converter seu monstro num pequeno ser que não atenta, que não lhe tenta
E você quase acredita em que ele já não lhe afeta
Que nunca você foi de verdade amedrontado, asfixiado,
E até celebra por ter ganhado a guerra
Como se de verdade umas poucas batalhas resumissem tudo
Como se acabando o bicho
também se extinguissem os medos, penas e dores dos que ele se alimenta.
Mas quando menos o espera,
ele acorda daquele adormecimento momentâneo
E volta agigantado, cheio de fúria, de fome,
e você que já o conhece e que já se conhece de novo se atormenta.
As simples formas de cortar as cabeças
já não fazem mais sentido
e ele que parece maior, mais forte
o devora, devagar, engolindo um a um seus órgãos
mastigando sem piedade sua calma, sua paciência, sua inocência.
E ainda que não tem pé, nem tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada
você desespera desiste, o deixa, o alimenta
e devagar, sem pressa
você se torna sem querer
no seu próprio bicho de sete cabeças
e não tem coração que esqueça.

